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8 de abril de 2020
Mercado

Brasil deveria monetizar a preservação da Amazônia por meio da venda de créditos de carbono, diz Walter Schalka

Poucos líderes empresariais no Brasil são tão críticos sobre o meio ambiente quanto Walter Schalka, presidente da maior produtora mundial de celulose. O executivo tem uma previsão sombria para a Amazônia: o desmatamento vai aumentar este ano. “Vai ser catastrófico”, disse Schalka, presidente da Suzano (SUZB3), em entrevista em Nova York. “Vai ser ainda pior do que no ano passado.”

A total extensão das recentes queimadas ainda não é conhecida porque o desmatamento de uma área é um processo que leva alguns anos para ser concluído, disse Schalka, que criticou o presidente Jair Bolsonaro por não fazer cumprir a legislação contra a extração ilegal de árvores e queimadas em 2019 que provocaram protestos em vários países.

Schalka disse que o governo deveria ser mais agressivo. “Não acho que estejam favorecendo o desmatamento, mas não estão criando condições para evitá-lo.”

Os alertas de desmatamento na Amazônia brasileira quase dobraram para um recorde em janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A taxa anual de desmatamento registrou o maior salto em mais de uma década no período de 12 meses encerrado em julho, de acordo com os dados mais recentes disponíveis.

A Amazônia é um grande repositório de dióxido de carbono e desempenha papel fundamental no combate contra as mudanças climáticas. Quase 10 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados nesse período, 30% a mais do que nos 12 meses anteriores.

A Amazônia, com 5 milhões de quilômetros quadrados, é um grande repositório de dióxido de carbono e desempenha papel fundamental no combate contra as mudanças climáticas. A floresta também abriga 10% de todas as espécies vegetais e animais conhecidas. E, nas últimas quatro décadas, a Amazônia perdeu cerca de 18% de seu território, segundo o Greenpeace.

Schalka, que tem falado abertamente sobre mudanças climáticas e desigualdade no Brasil, disse que o país deveria monetizar a preservação da floresta por meio da venda de créditos de carbono.

Se o Brasil conseguisse conter a destruição desenfreada da Amazônia, o país seria capaz de “capturar” gases de efeito estufa e vender licenças que nações e empresas negativas em carbono poderiam comprar para compensar suas emissões.

A empresa planta por dia cerca de 80 mil árvores de eucalipto a mais do que derruba para abastecer suas fábricas de papel e celulose.

Enorme oportunidade

Embora isso seja visto em alguns setores como um plano impraticável, Schalka disse que “não tem dúvidas” de que um sistema de captação e comércio de carbono será implementado mais cedo ou mais tarde como parte das iniciativas internacionais para combater a mudança climática, o que cria uma “enorme oportunidade” para o Brasil.

E também para a Suzano, que destaca suas credenciais ecológicas a investidores em todo o mundo. A empresa planta por dia cerca de 80 mil árvores de eucalipto a mais do que derruba para abastecer suas fábricas de papel e celulose.

Um eucalipto pode capturar cerca de 167 kg de carbono até que esteja pronto para ser colhido em sete anos, o que faz da Suzano uma empresa negativa em carbono, de acordo com Schalka. Embora a Suzano normalmente plante árvores em áreas usadas anteriormente como pastagens, a empresa não monitora o impacto indireto que sua expansão possa ter no desmatamento, uma vez que a criação de gado é deslocada e potencialmente levada a novas fronteiras.

Ainda assim, a Suzano pode aumentar o sequestro de carbono em cerca de 30% na próxima década, para 40 milhões de toneladas por ano – o equivalente a retirar 2,5 milhões de carros das ruas -, principalmente por meio do plantio de árvores para apoiar o crescimento da empresa.

“Queremos monetizar isso para o futuro”, disse Schalka.

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