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17 de janeiro de 2020
Destaques Logística

Caminhão autônomo da Volvo estreia como solução logística na Suécia

A direção autônoma pode significar um novo caminho para os serviços logísticos. A empresa de transporte e logística dinamarquesa DFDS e a Volvo Trucks firmaram um acordo para iniciar a operação com o Vera, veículo de carga elétrico, conectado e autônomo, que irá transportar mercadorias entre um centro de logística da DFDS e um terminal portuário em Gotemburgo, na Suécia, para distribuição em todo o mundo.

Apresentado em 2018, o VERA é uma solução da Volvo Trucks para operações de transporte com alta repetição em centros de logística, fábricas e portos. Segundo Mikael Karlsson, vice-presidente de soluções autônomas da Volvo Trucks, o veículo é ideal para operar em curtas distâncias, transportando grandes volumes de mercadorias com alta precisão, e o acordo entre as duas empresas permitirá o desenvolvimento de seu potencial para outras operações similares.

Para permitir um fluxo de transporte contínuo e garantir a segurança, os veículos serão monitorados por uma torre de controle que verifica a posição de cada veículo, carga das baterias, conteúdo de carga, requisitos de serviço e vários outros parâmetros.

Mikael Karlsson, vice-presidente de soluções autônomas da Volvo Trucks
Mikael Karlsson, vice-presidente de soluções autônomas da Volvo Trucks

A Volvo pretende aprimorar a solução de transporte autônomo com avanços em tecnologia, gestão de operações e adaptações de infraestrutura, para que possa ser completamente operacional nos próximos anos como complemento às soluções de transporte atuais.

“Transportes autônomos com baixos níveis de ruído e zero emissões irão desempenhar um papel importante no futuro da logística, beneficiando as empresas e a sociedade. Vemos essa colaboração como o início do progresso que queremos promover nessa área”, acrescenta Mikael Karlsson.

A DFDS fornece serviços de balsa e transporte na Europa e na Turquia, gerando receitas anuais de cerca de 17 bilhões de coroas dinamarquesas. Sediada em Copenhague, a empresa tem oito mil colaboradores que trabalham em navios e em escritórios de vinte países.

Torben Carlsen, CEO da DFDS
Torben Carlsen, CEO da DFDS

A iniciativa da DFDS e Volvo Trucks contará com o apoio da agência sueca de inovação Vinnova, da administração de transportes da Suécia e da agência sueca de energia, por meio do programa de pesquisa e inovação de veículos estratégicos FFI.

Torben Carlsen, CEO da DFDS, diz que a companhia quer estar na vanguarda do transporte autônomo e conectado e é o primeiro passo para implementar a solução em uma operação de transporte real em estradas públicas, predefinidas dentro de uma área industrial.

“Essa colaboração nos ajudará a desenvolver uma solução eficiente, flexível e sustentável de longo prazo para ter veículos autônomos que chegam aos nossos portões, beneficiando nossos clientes, o meio ambiente e nossos negócios”, diz Carlsen.

Autônomos na Suécia

A Suécia tem sido palco de provas e testes reais dos autônomos. Uma pesquisa da empresa KPMG, sobre os países melhor preparados para o recebimento de tecnologias automotivas autônomas, elaborou um ranking com 20 posições e a Suécia ocupa o 4º lugar, precedida por Holanda, Cingapura e Estados Unidos.

Em janeiro deste ano, a Volvo conseguiu aval para começar a testar um programa de computação para carros autônomos na Suécia, sem interferência do motorista. Segundo a empresa Veoneer, parceira da montadora sueca, a autorização foi para condução autônoma de nível 4 – o segundo maior nível.

Ele permitirá que o carro da Volvo ande sozinho a uma velocidade máxima de 80 km/h. Por precaução, o veículo terá um motorista treinado a bordo, mas ele não colocará as mãos no volante. Em testes anteriores, a velocidade máxima era de 60 km/h e o motorista era obrigado a manter ao menos uma mão no volante.

A parceria entre Volvo e Veoneer foi batizada de Zenuity e foi formada em 2017. Os primeiros produtos de assistência ao motorista devem equipar carros à venda ainda neste ano. A montadora, controlada pela chinesa Geely, tem a meta de entregar carros autônomos depois de 2021 e obter um terço das suas vendas a partir desses veículos até 2025.

Autônomos no Brasil

Dos grandes desafios impostos à indústria automobilística mundial, apenas dois chamam atenção no Brasil para os próximos anos. O País deve avançar em veículos conectados e novos serviços de mobilidade (NSM), devido ao forte crescimento da rede celular 4G e o 5G que se aproxima da realidade. Além de mais veloz, essa conexão poderá democratizar ainda mais a conexão de Internet fora de centros urbanos e tem implicações que viabilizam novos negócios.

De apenas 10% das conexões, em 2016, chegaremos a 57% em 2020, numa posição de liderança na América do Sul. Entretanto, os veículos autônomos estão longe do mercado local e sem nenhuma previsão de efetiva introdução por problemas de alto custo, infraestrutura e regulamentação jurídica, entre outros.

A eletrificação completa (por bateria ou pilha a hidrogênio) ainda enfrenta grandes obstáculos, dos quais o preço bastante elevado parece uma barreira inexpugnável mesmo em médio prazo.

Mesmo assim, além da indústria, duas universidades brasileiras vem avançando no desenvolvimento de carros autônomos. A equipe do Laboratório de Robótica Móvel da USP, na cidade de São Paulo, criou o CaRina – Carro Robótico de Navegação Autônoma, desenvolvido e testado com sucesso nas ruas de São Carlos. O CaRina começou a ser criado em 2010 e passou a ser testado em 2012.

Outro veículo autônomo brasileiro é o IARA – Intelligent Autonomous Robotic Automobile, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Computação de Alto Desempenho (Lcad) da Ufes, coordenados pelo professor Alberto Ferreira de Souza, no Espírito Santo. O IARA por sua vez foi mais longe, realizando em maio de 2017, uma viagem de 74 km, entre a o campus da universidade em Goiabeiras, na cidade de Vitória, até uma praia na cidade de Guarapari.

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