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8 de abril de 2020
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Coronavírus já impacta produção da indústria de tecnologia no Brasil e no mundo

A epidemia de coronavírus na China e o impacto nas cadeias de produção começam a diminuir projeções de produção nas grandes empresas da indústria de tecnologia. Segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira (17) pela Trendforce, empresa chinesa de análise de cadeia de suprimento, a produção de smartphones no primeiro trimestre de 2020 pode cair 12% se comparada ao mesmo período em 2019.

Se confirmada a previsão, essa seria a pior produção para o primeiro trimestre em 5 anos. Outros tipos de dispositivos, como monitores, TVs e notebooks também devem ter redução de milhões de unidades na produção, de acordo com a consultoria.

“O surto teve um impacto significativamente alto na indústria de smartphones, porque essa cadeia de suprimentos é intensiva em trabalho manual”, afirmou a Trendfore no relatório.

Impacto no Brasil

O resultado começa a ser sentido inclusive no Brasil. A fábrica da LG em Taubaté e as fábricas da Samsung e da Motorola na região de Campinas tiveram produção suspensas, por falta de componentes eletrônicos que deveriam vir da China. Em nota, a Samsung informou que a planta “opera normalmente”.

A China é justamente a principal fonte de componentes do Brasil, com 42% do volume total, e também o mais afetado pelo coronavírus — com mais de 70 mil casos confirmados e pelo menos 1,8 mil mortes. O país é um dos principais vendedores de chips, circuitos integrados e outras partes e peças que vão se tornar celulares, máquinas de lavar, televisores e diversos outros eletrônicos em outros países.

De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que realizou uma sondagem com fabricantes de eletrônicos no Brasil, metade das empresas já têm problemas no recebimento de materiais da China.

“Mesmo as [empresas] que não foram afetadas por esse problema citaram que se o abastecimento de componentes e insumos da China não se normalizar nos próximos 20 dias será muito difícil conseguir manter o mesmo ritmo de atividade nos próximos meses”, disse a Abinee em nota.

Além do impacto do coronavírus, a exclusão do Brasil da categoria de países em desenvolvimento pelos Estados Unidos é outro motivo de preocupação para a indústria brasileira de eletroeletrônicos, aponta a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. Nas contas da entidade, decisão vai prejudicar 30% das vendas do segmento aos EUA, que foram recorde em 2019. 

Ao redor do mundo

A Apple já anunciou a investidores que a crise global causada pelo vírus não permitirá que a empresa alcance as metas de faturamento traçadas para o primeiro trimestre e que o “o suprimento global de iPhones será temporariamente restrito”. O anúncio levou as bolsas na Europa a fecharem em queda nesta terça-feira (18).

Na semana passada, a principal feira do setor de smartphones e comunicação móvel, a Mobile World Congress, foi cancelada por preocupações com a doença. A MWC aconteceria em Barcelona, na Espanha, entre os dias 24 e 27 de fevereiro e é organizada pela GSMA, uma associação que representa em escala global centenas de operadoras de telefonia móvel e outras empresas do setor de telecomunicações.


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