20.2 C
Brasil
14 de outubro de 2019
Destaques Logística Tecnologia Transporte

Gêmeos digitais de operações de logística podem otimizar cadeia de suprimentos

A DHL realizou um estudo inédito de tendências sobre “Digital Twins na logística” a partir de seu Centro de Inovação na Alemanha, que explica o conceito e a ascensão da tecnologia digital twins, bem como a forma como ela agrega valor aos negócios. A tecnologia, que envolve o uso de modelos digitais para compreender e gerenciar melhor os ativos físicos, já está bem consolidada em alguns setores e tem o potencial de mudar significativamente as operações logísticas.

Um digital twin ou gêmeo digital é uma representação virtual exclusiva de alguma coisa física que monitora e simula o estado físico, assim como seu comportamento, ou seja, a cópia digital permanece constantemente conectada ao objeto físico e se atualiza, automaticamente para refletir as mudanças ocorridas no mundo real.

Aplicados a produtos, máquinas e até mesmo a ecossistemas completos de negócios, os digital twins podem revelar insights do passado, otimizar o presente e até mesmo prever o desempenho futuro.

Matthias Heutger, vice-presidente sênior e diretor global de Inovação e Desenvolvimento Comercial da DHL, explica que o mercado de digital twins deverá crescer mais de 38% ao ano, ultrapassando a marca de US$ 26 bilhões até 2025.

Segundo ele, os digital twins oferecem recursos incomparáveis para rastrear, monitorar e diagnosticar ativos que mudarão as cadeias de suprimentos tradicionais com uma ampla variedade de opções que visam facilitar a colaboração e a tomada de decisões fundamentada em dados, viabilizar processos de negócio simplificados e promover novos modelos de negócios.

Estamos ansiosos para trabalhar com nossos clientes e parceiros a fim de explorarmos juntos as possíveis aplicações em nosso setor.

Aplicações dos Digital Twins no setor de logística

Em logística, os digital twins podem ser usados em diversas aplicações ao longo de toda a cadeia, como por exemplo, no gerenciamento de redes de contêineres, no monitoramento de embarques ou na elaboração de sistemas de logística.

Sensores de IoT em contêineres individuais, por exemplo, mostram sua localização e monitoram eventuais danos ou contaminações. Esses dados fluem para um digital twin da rede de contêineres que usa o machine learning para garantir que os contêineres estejam sendo movimentados da forma mais eficiente possível.

Os digital twins podem ser aplicados não apenas para ativos individuais, mas também para redes e ecossistemas inteiros, como locais de armazenamento, combinando um modelo 3D das instalações físicas com dados operacionais e de estoque.

O sistema pode fornecer uma visão geral do estado das máquinas e da disponibilidade dos produtos, além de fazer previsões e tomar decisões autônomas com relação ao estoque ou às entregas. O mesmo princípio se aplica aos centros logísticos de grande porte ou às redes globais de logística.

Markus Kückelhaus, vice-presidente de Inovação e Pesquisas de Tendências da DHL Customer Solutions & Innovation, acrescenta que os digital twins estão se tornando uma opção mais atraente e acessível para as empresas. Um exemplo é o uso de gêmeos digitais pela GE em parques eólicos para prever a saída de energia.

No Reino Unido, a empresa de equipamentos ferroviários Alstom construiu um gêmeo digital para simplificar a gestão da manutenção do trem na linha principal da costa oeste, uma das linhas ferroviárias interurbanas mais movimentadas que conecta Londres a Glasgow e Edimburgo pelas principais cidades do país, a fim de garantir disponibilidade máxima da frota de 56 trens.

O gêmeo digital da Alstom inclui detalhes de todos os trens da frota, juntamente com horários de funcionamento e regimes de manutenção, além de modelar a capacidade disponível em cada um dos cinco depósitos de manutenção. O modelo usa um algoritmo heurístico para agendar atividades de manutenção e alocá-los no depósito mais apropriado.

Os planejadores de manutenção também usam o sistema para analisar o impacto das alterações nas manutenções estratégias e horários dos trens.

No entanto, reunir essas e outras tecnologias relevantes em uma única implementação completa de digital twin é uma tarefa ainda bastante complexa e desafiadora. “A estreita colaboração entre todos os parceiros ao longo da cadeia é, portanto, algo essencial para explorar totalmente o potencial dos digital twins”, diz Kückelhaus.

No estudo, a DHL examina os desafios da implementação, como as preocupações com a segurança cibernética, mas salienta que os cases de implementação dos digital twins estão se tornando mais frequentes, à medida que as tecnologias relacionadas se tornam mais confiáveis e acessíveis.

Empresas de vários setores, segundo Kückelhaus passarão a considerar a tecnologia como uma saída inestimável para o gerenciamento de sistemas complexos de ativos em tempo real e para o aumento da eficiência em seus processos.

O relatório termina fazendo algumas considerações sobre os investimentos e as mudanças necessários para a implementação bem-sucedida no setor de logística.

Related posts

Grupo Sulista e TWE apontam tendências logísticas com tecnologias digitais

Maria Alice Guedes

SoftBank anuncia investimento de US$5 Bi em startups da América Latina

Maria Alice Guedes

Ford anuncia sua saída do negócio de caminhões na América do Sul

Maria Alice Guedes

Deixe seu comentário