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7 de dezembro de 2019
Destaques Indústria

Indústria paulista fecha 3,5 mil postos de trabalho em julho

Indústria paulista contabiliza saldo negativo nos postos de trabalho

A indústria paulista contabilizou saldo negativo nos postos de trabalho em julho com o fechamento de 3,5 mil vagas na comparação com junho, um recuo de 0,26% no mês. O resultado é consequência do número de desligamentos nas montadoras de veículos, impactando a sua cadeia produtiva em menos 2.163 vagas, o que representa uma redução de 0,97%. Outra forte redução foi observada no setor couro-calçadista que perdeu 966 vagas (-2,10%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16/08) pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

De acordo com José Ricardo Roriz, 2º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, esta redução já era esperada para o mês de julho conforme havia sido sinalizado pela pesquisa Sensor. Todavia, a recessão da indústria e a consequente perda de postos de trabalho não se resume aos índices de julho. Em junho, foi ainda pior, quando a indústria da transformação paulista fechou 13 mil postos de trabalho, uma queda de 0,61% em relação a maio. Esses resultados mostram que a produção industrial recuou aos níveis de 2004 e o país acumula quase uma década perdida.

Fechamento de indústrias em São Paulo

O Estado de São Paulo, maior polo industrial do País, registrou o fechamento de 2.325 indústrias de transformação e extrativas nos primeiros cinco meses do ano. O número é o mais alto para o período na última década e 12% maior que o do ano passado, segundo a Junta Comercial.

O dado indica que a fraca recuperação da economia brasileira após a recessão de 2014 a 2016 continua levando ao encolhimento do setor produtivo, deixando um rastro de fábricas desativadas e desempregados.

No segundo trimestre de 2019, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que 12,8 milhões de brasileiros seguem desempregados e 11,5 trabalhadores não têm carteira assinada. “Metade dessa perda ocorreu no setor privado e a outra parte no setor público.

No privado, veio da indústria e construção; no público, principalmente de atividades voltadas para a educação”, afirmou o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Os trabalhadores informais também cresceram, enquanto sublocados ou por conta própria bateram recordes. Isso explica porque o rendimento médio habitual da população também caiu: ficou em R$ 2.290, 1,3% a menos do que no trimestre anterior e sem variação significativa com o mesmo período do ano passado. 

A indústria não cresce sem consumo. Em janeiro e fevereiro, houve uma queda de 5,2% no número de unidades de itens básicos comprados pelas famílias em relação ao mesmo período de 2018, aponta pesquisa da consultoria Kantar. Foi a primeira retração para o período em cinco anos, pressionada pelo aumento do desemprego e da inflação da comida e também pela queda na renda. O consumo de alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza dentro da casa dos brasileiros sofreu um baque neste início de ano. 

Se a população não tem condições de manter o consumo dos itens básicos, quiçá dos produtos de maior valor agregado.

Entre 2014 e 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulou queda de 4,2%, enquanto o da indústria de transformação em todo o País caiu 14,4%. “Significa que a produção caiu bastante e obviamente teve impacto nas empresas, com fechamento de fábricas e demissões”, diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados.

Em paralelo, foram abertas de janeiro a maio deste ano, 4.491 indústrias em São Paulo. Tradicionalmente há mais abertura do que baixa de fábricas, mas isso nem sempre é um indicador positivo. Para Mendonça de Barros, independentemente dos números de novas indústrias, a queda do PIB industrial mostra que houve encolhimento da produção e, provavelmente, foram fechadas empresas grandes e médias, e abertas unidades de menor porte.

A fabricante de pneus Pirelli anunciou em maio o fechamento da unidade de Gravataí (RS) e a demissão dos 900 funcionários. A produção de pneus de motos será unificada à de pneus para carros em Campinas (SP) onde serão geradas 300 vagas ao longo de três anos. A empresa alega necessidade de reestruturação “tendo em vista o cenário conjuntural difícil do País”.

Entre as empresas que fecharam fábricas este ano estão PepsiCo/Quaker (RS), PepsiCo/Mabel (MS), Kimberly-Clark (RS), Nestlé (RS), Malwee (SC), Britânia (BA) e Paquetá (BA).

Desempenho por setores

Entre os setores acompanhados pela pesquisa da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) , 41% apresentaram variações negativas, com 9 demitindo, 8 contratando e 5 permanecendo estáveis.

A pesquisa apura também a situação de emprego para as grandes regiões do estado de São Paulo e em 37 Diretorias Regionais do Ciesp. Por grande região, a variação em julho recuou 0,23% na Grande São Paulo. No ABCD foi de menos 0,67% e no Interior o recuo foi 0,09%.

Os principais destaques negativos ficaram por conta de veículos automotores, reboques e carroceria (-2.163), couro e calçados (-966) e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-565).

Das 19 categorias negativas, destaque para São Bernardo do Campo (-1,54%), com o fechamento de 1.050 vagas, por veículos automotores e autopeças (-1,91%) e produtos de borracha e plástico (-10,61%), e Osasco (-1,09%), com o encerramento de 700 vagas, influenciado pelos setores de produtos de borracha e plástico (-1,6%) e confecções e artigos do vestuário (-5,15%).

A indústria de autopeças Indebrás, na zona oeste de São Paulo, por exemplo, deixou de operar em abril e colocou na rua 150 funcionários. No ABC paulista, a autopeça Dura informou em janeiro que fecharia a fábrica em maio e demitiria 250 funcionários. Após greve e negociações envolvendo a prefeitura de Rio Grande da Serra e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a medida foi adiada.

O presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú, Caetano Bianco Neto, afirma que, nos últimos anos, várias empresas consideradas de grande porte para a atividade, com 300 a 400 funcionários, encerraram atividades. “Quando fecha uma grande, muitas vezes surgem outras três ou quatro micro e pequenas fabricantes, algumas inclusive abertas por ex-funcionários, mas com pouca mão de obra”, diz Bianco Neto.

O polo calçadista de Jaú, referência nacional na produção de calçados femininos, já empregou 12 mil trabalhadores em meados dos anos 2000. Hoje tem 5 mil funcionários, diz Bianco Neto. Recentemente, ele e dirigentes da indústria de calçados das vizinhas Franca e Birigui entregaram ao governador João Doria (PSDB) um plano de recuperação do setor.

No gráfico acima, observa-se que no campo positivo ficaram, principalmente, confecção de artigos do vestuário e acessórios, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, e celulose – papel e produtos de papel.

Nas 13 Diretorias Regionais do Ciesp que apontaram altas, o destaque fica por conta de Botucatu com geração de 350 vagas, influenciada por confecção e artigos do vestuário (5,05%), e veículos automotores e autopeças (0,55%); e por Ribeirão Preto com a criação de 400 postos de trabalho, por máquinas e equipamentos (4,51%) e produtos alimentícios (0,35%).

Ranking Global de Competitividade

Os resultados da indústria comprovam também que o país vem sucessivamente perdendo posições no ranking global de competitividade do World Economic Forum. Chegou à pior posição dos últimos dez anos em 2017. A perda da competitividade nacional compromete o crescimento econômico e a geração de emprego e renda.

O Mapa Estratégico da Indústria que considera o período de 2018 a 2022, publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) define o norte para a indústria e o país, mostrando como superar gargalos que ainda representam barreiras à competitividade da indústria brasileira.

Entre eles estão a qualidade da educação e da infraestrutura, o complexo e oneroso sistema tributário, e a tradicional agenda do Custo Brasil. Contudo, sua concretização requer que empresários e organizações de representação atuem de forma coordenada, eficaz e transparente e que o Estado faça uma gestão equilibrada dos gastos públicos, além de investimentos robustos em inovação.

 

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