20.2 C
Brasil
14 de outubro de 2019
Destaques Indústria

Indústria paulista fecha 3,5 mil postos de trabalho em julho

Indústria paulista contabiliza saldo negativo nos postos de trabalho

A indústria paulista contabilizou saldo negativo nos postos de trabalho em julho com o fechamento de 3,5 mil vagas na comparação com junho, um recuo de 0,26% no mês. O resultado é consequência do número de desligamentos nas montadoras de veículos, impactando a sua cadeia produtiva em menos 2.163 vagas, o que representa uma redução de 0,97%. Outra forte redução foi observada no setor couro-calçadista que perdeu 966 vagas (-2,10%). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16/08) pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

De acordo com José Ricardo Roriz, 2º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, esta redução já era esperada para o mês de julho conforme havia sido sinalizado pela pesquisa Sensor. Todavia, a recessão da indústria e a consequente perda de postos de trabalho não se resume aos índices de julho. Em junho, foi ainda pior, quando a indústria da transformação paulista fechou 13 mil postos de trabalho, uma queda de 0,61% em relação a maio. Esses resultados mostram que a produção industrial recuou aos níveis de 2004 e o país acumula quase uma década perdida.

Fechamento de indústrias em São Paulo

O Estado de São Paulo, maior polo industrial do País, registrou o fechamento de 2.325 indústrias de transformação e extrativas nos primeiros cinco meses do ano. O número é o mais alto para o período na última década e 12% maior que o do ano passado, segundo a Junta Comercial.

O dado indica que a fraca recuperação da economia brasileira após a recessão de 2014 a 2016 continua levando ao encolhimento do setor produtivo, deixando um rastro de fábricas desativadas e desempregados.

No segundo trimestre de 2019, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que 12,8 milhões de brasileiros seguem desempregados e 11,5 trabalhadores não têm carteira assinada. “Metade dessa perda ocorreu no setor privado e a outra parte no setor público.

No privado, veio da indústria e construção; no público, principalmente de atividades voltadas para a educação”, afirmou o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Os trabalhadores informais também cresceram, enquanto sublocados ou por conta própria bateram recordes. Isso explica porque o rendimento médio habitual da população também caiu: ficou em R$ 2.290, 1,3% a menos do que no trimestre anterior e sem variação significativa com o mesmo período do ano passado. 

A indústria não cresce sem consumo. Em janeiro e fevereiro, houve uma queda de 5,2% no número de unidades de itens básicos comprados pelas famílias em relação ao mesmo período de 2018, aponta pesquisa da consultoria Kantar. Foi a primeira retração para o período em cinco anos, pressionada pelo aumento do desemprego e da inflação da comida e também pela queda na renda. O consumo de alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza dentro da casa dos brasileiros sofreu um baque neste início de ano. 

Se a população não tem condições de manter o consumo dos itens básicos, quiçá dos produtos de maior valor agregado.

Entre 2014 e 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulou queda de 4,2%, enquanto o da indústria de transformação em todo o País caiu 14,4%. “Significa que a produção caiu bastante e obviamente teve impacto nas empresas, com fechamento de fábricas e demissões”, diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados.

Em paralelo, foram abertas de janeiro a maio deste ano, 4.491 indústrias em São Paulo. Tradicionalmente há mais abertura do que baixa de fábricas, mas isso nem sempre é um indicador positivo. Para Mendonça de Barros, independentemente dos números de novas indústrias, a queda do PIB industrial mostra que houve encolhimento da produção e, provavelmente, foram fechadas empresas grandes e médias, e abertas unidades de menor porte.

A fabricante de pneus Pirelli anunciou em maio o fechamento da unidade de Gravataí (RS) e a demissão dos 900 funcionários. A produção de pneus de motos será unificada à de pneus para carros em Campinas (SP) onde serão geradas 300 vagas ao longo de três anos. A empresa alega necessidade de reestruturação “tendo em vista o cenário conjuntural difícil do País”.

Entre as empresas que fecharam fábricas este ano estão PepsiCo/Quaker (RS), PepsiCo/Mabel (MS), Kimberly-Clark (RS), Nestlé (RS), Malwee (SC), Britânia (BA) e Paquetá (BA).

Desempenho por setores

Entre os setores acompanhados pela pesquisa da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) , 41% apresentaram variações negativas, com 9 demitindo, 8 contratando e 5 permanecendo estáveis.

A pesquisa apura também a situação de emprego para as grandes regiões do estado de São Paulo e em 37 Diretorias Regionais do Ciesp. Por grande região, a variação em julho recuou 0,23% na Grande São Paulo. No ABCD foi de menos 0,67% e no Interior o recuo foi 0,09%.

Os principais destaques negativos ficaram por conta de veículos automotores, reboques e carroceria (-2.163), couro e calçados (-966) e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-565).

Das 19 categorias negativas, destaque para São Bernardo do Campo (-1,54%), com o fechamento de 1.050 vagas, por veículos automotores e autopeças (-1,91%) e produtos de borracha e plástico (-10,61%), e Osasco (-1,09%), com o encerramento de 700 vagas, influenciado pelos setores de produtos de borracha e plástico (-1,6%) e confecções e artigos do vestuário (-5,15%).

A indústria de autopeças Indebrás, na zona oeste de São Paulo, por exemplo, deixou de operar em abril e colocou na rua 150 funcionários. No ABC paulista, a autopeça Dura informou em janeiro que fecharia a fábrica em maio e demitiria 250 funcionários. Após greve e negociações envolvendo a prefeitura de Rio Grande da Serra e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a medida foi adiada.

O presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú, Caetano Bianco Neto, afirma que, nos últimos anos, várias empresas consideradas de grande porte para a atividade, com 300 a 400 funcionários, encerraram atividades. “Quando fecha uma grande, muitas vezes surgem outras três ou quatro micro e pequenas fabricantes, algumas inclusive abertas por ex-funcionários, mas com pouca mão de obra”, diz Bianco Neto.

O polo calçadista de Jaú, referência nacional na produção de calçados femininos, já empregou 12 mil trabalhadores em meados dos anos 2000. Hoje tem 5 mil funcionários, diz Bianco Neto. Recentemente, ele e dirigentes da indústria de calçados das vizinhas Franca e Birigui entregaram ao governador João Doria (PSDB) um plano de recuperação do setor.

No gráfico acima, observa-se que no campo positivo ficaram, principalmente, confecção de artigos do vestuário e acessórios, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, e celulose – papel e produtos de papel.

Nas 13 Diretorias Regionais do Ciesp que apontaram altas, o destaque fica por conta de Botucatu com geração de 350 vagas, influenciada por confecção e artigos do vestuário (5,05%), e veículos automotores e autopeças (0,55%); e por Ribeirão Preto com a criação de 400 postos de trabalho, por máquinas e equipamentos (4,51%) e produtos alimentícios (0,35%).

Ranking Global de Competitividade

Os resultados da indústria comprovam também que o país vem sucessivamente perdendo posições no ranking global de competitividade do World Economic Forum. Chegou à pior posição dos últimos dez anos em 2017. A perda da competitividade nacional compromete o crescimento econômico e a geração de emprego e renda.

O Mapa Estratégico da Indústria que considera o período de 2018 a 2022, publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) define o norte para a indústria e o país, mostrando como superar gargalos que ainda representam barreiras à competitividade da indústria brasileira.

Entre eles estão a qualidade da educação e da infraestrutura, o complexo e oneroso sistema tributário, e a tradicional agenda do Custo Brasil. Contudo, sua concretização requer que empresários e organizações de representação atuem de forma coordenada, eficaz e transparente e que o Estado faça uma gestão equilibrada dos gastos públicos, além de investimentos robustos em inovação.

 

Related posts

República Dominicana investe na melhoria do transporte público com aquisição de ônibus articulados

Maria Alice Guedes

Cade aprova criação de empresa de logística entre Correios e Azul

Carlo Fracalanza

Declínio de 10% nas importações de produtos químicos indica efeito dominó na economia, relata Maersk

Maria Alice Guedes

Deixe seu comentário