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6 de dezembro de 2019
Destaques Logística

Maersk relata estagnação da economia brasileira com recuperação a partir de 2021

O relatório comercial divulgado ontem (04/09) pela Maersk, referente ao 2º trimestre de 2019, destaca que a economia real brasileira ainda está estagnada, e somente após o segundo trimestre de 2020 será possível obter uma visão mais clara do que está acontecendo com o crescimento do comércio brasileiro sem o efeito da greve de 2018 sobre os volumes. 

Os dados apresentados no Relatório (Trade Report) sobre o volume total de comércio de contêineres em todo o Brasil, envolvendo todas as linhas de remessa e não apenas a Maersk, apontam que as importações e exportações brasileiras não corresponderam às expectativas de recuperação para agosto e nem ao desempenho esperado em janeiro.

O comércio brasileiro de contêineres com o resto do mundo teve um crescimento de 15% nas exportações do segundo trimestre e um aumento de 7% nas importações ano a ano.

“Apesar do total de importações e exportações do segundo trimestre representar um crescimento de 11%, o resultado de dois dígitos deveu-se principalmente ao impacto da interrupção do comércio por mais de um mês durante o segundo trimestre do ano passado, na sequência de uma greve de caminhoneiros nacionais”, diz Antonio Dominguez, diretor administrativo da Maersk Costa Leste da América do Sul.

Veja aqui: Trade Report Maersk do primeiro trimestre 2019

No segundo trimestre de 2019, foram exportadas cerca de 382.000 TEUs versus 322.000 TEUs no mesmo período de 2018.

Segundo Matias Concha, diretor de Produtos da Maersk Costa Leste da América do Sul, temos que olhar para esses números de forma cautelosa, considerando que o crescimento anual do segundo trimestre foi efetivamente estagnado para as exportações devido a greve dos caminhoneiros em 2018, que impactou o comércio em cerca de 60.000 TEUs.

“O atual ambiente logístico é altamente desafiador para a indústria e a agricultura brasileiras, e nem mesmo com um real altamente depreciado, estamos vendo muita folga nas exportações. No entanto, o algodão deve dar uma contribuição positiva em setembro”, diz Elen Albuquerque, diretora de atendimento ao cliente da Maersk Costa Leste da América do Sul

Devido à greve dos caminhoneiros, o Brasil reportou os seguintes resultados das exportações do segundo trimestre:

  • Exportações secas brasileiras cresceram 15% no mundo;
  • Exportações secas para a Europa cresceram 9%, Ásia 22%, Oriente Médio 21% e África, 0%;
  • Exportação brasileira de carga refrigerada cresceu 20% em todo o mundo;
  • Exportações refrigeradas para a Europa cresceram 17%, Ásia 15%, Oriente Médio 38% e África -4%

 

As importações asiáticas finalmente subiram 15%, após uma queda de -4% no primeiro trimestre e uma queda de -2% no quarto trimestre. Para o Oriente Médio, as importações foram apenas um pouco mais altas, com um crescimento de 3%.
Europa caiu -5%, adicionando resultados de -4% e -2% nos primeiros trimestres de 2019 e quarto 2018, respectivamente.

Cenário global e falta de competitividade

A expectativa era de que 2020 representasse uma reviravolta para o comércio brasileiro, mas segundo Antonio Dominguez, o País precisaria de uma grande mudança estrutural para que isso acontecesse, referindo-se às reformas da previdência e tributária para gerar maior competitividade.

Entretanto, o relatório destaca também a desaceleração do comércio e a fabricação global, além da disputa de tarifas nos EUA e na China, reduzindo os volumes globais de contêineres, o que pode piorar a situação. O Brexit, por sua vez, continua impactando o comércio europeu e isso também afeta o Brasil.

“Isso ocorre ao mesmo tempo em que a indústria brasileira poderia aproveitar o cenário EUA-China e impulsionar o comércio com a maior economia do mundo, apesar da situação geopolítica envolvida, caso houvesse maior competitividade”, afirma Dominguez.

Segundo o Fórum Econômico Mundial em 2018, que considera infraestrutura, necessidade de atualizações na cadeia logística nacional, investimentos, facilidade de fazer negócios, reformas e novos acordos comerciais com outros países, a competitividade brasileira está classificada em 80º das 137 economias.

“No momento, tanto a indústria, quanto a agricultura e os consumidores brasileiros precisam de melhores condições na cadeia logística. Eles precisam de segurança após a greve dos caminhoneiros do ano passado e de uma cadeia de suprimentos mais competitiva no atual cenário global de hoje, reduzindo o custo de logística na maior economia da América Latina”, diz Dominguez.

Repartição das importações nos dois trimestres por setor

Primeiro Trimestre 2019                                           

Segundo Trimestre 2019

 

 

 

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