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8 de abril de 2020
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Transportadora Americana negocia venda para grupo logístico Sequoia

A TA (Transportadora Americana) está sendo vendida para a Sequoia, uma das maiores empresas de logística e armazenagem de varejo online do País. O processo de aquisição é analisado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) desde o dia 10 de janeiro. A intenção da Sequoia é adquirir 100% do capital da empresa.

A TA é uma das maiores empresas de Americana e referência no setor de transportes rodoviários e armazenagem de carga, com forte presença nas regiões Sul e Sudeste. Com gestão familiar, emprega 1,5 mil pessoas, entre contratados e autônomos. Conta com 42 filiais em 11 Estados do País.

A empresa foi fundada em 1941 em Americana e é uma das pioneiras no chamado transporte de carga fracionada – que consiste na entrega de cargas com até 200 quilos e que não precisam “completar” um veículo; assim, o baú de um caminhão pode conter, por exemplo, entregas de diversas empresas.

A TA possui três unidades – rodoviária, logística e expressa – e oferece serviços de transporte rodoviário, aéreo, soluções logísticas e projetos. Ela se destaca pelo transporte fracionário em segmentos como farmacêutico, cosméticos, e-commerce (varejo online), eletroeletrônicos, autopeças, têxtil, confecções e calçados. A empresa registrou receita de R$ 280 milhões no ano passado.

A Sequoia tem sede na cidade de Embu das Artes (SP) e caracteriza-se por sua forte atuação no e-commerce. A empresa realizou nos últimos anos seis aquisições, sendo as mais recentes das rivais Texlog e a Nowlog, marcando presença no Rio de Janeiro e região Nordeste. 70% do capital social da companhia pertence ao fundo de investimentos Warburg Pincus, com sede em Nova York.

Tanto a TA quanto a Sequoia foram procuradas, mas preferiram não comentar a negociação até análise do Cade.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Armando Marchesan Neto, fundador da Sequoia, revelou que para este ano a receita estimada da empresa é de R$ 1,25 bilhão. Caso se confirme, o resultado representará crescimento de 76% em relação a 2019.

Aprovação

O Cade é responsável por analisar transações comerciais para evitar a ocorrência de monopólio no setor. O Conselho tem prazo de 240 dias para a conclusão da análise, prorrogável por mais 90 dias.

“Ao analisar um ato de concentração o Cade observa, por exemplo, a participação de mercado das empresas envolvidas na operação, e se há existência de rivalidade por parte dos concorrentes. O Cade zela pela preservação da concorrência, objetivando diversidade e qualidade de produtos e serviços prestados ao consumidor”, explicou a autarquia federal.

Malha de distribuição integrada atraiu empresa

No documento protocolado junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para apresentar a proposta, a Sequoia indica que a compra da Transportadora Americana vai possibilitar ampliar sua área de atuação.

A empresa explica, no documento tornado público, que a compra vai “complementar os serviços por ela oferecidos nos ramos da logística fracionada de carga leve e entregas urgentes, presentes em varejo em geral, bem como o acesso, pelos seus clientes, à malha de distribuição de logística integrada da TA”.

Coordenador do curso de Logística da Fatec (Faculdade Técnica) de Americana, Nelson Luis de Souza Correa analisou que um dos principais interesses da Sequoia na TA está justamente na estrutura logística e no conhecimento de transporte fracionado, essencial para o varejo online.

“O e-commerce não tem repetição muito forte no transporte de cargas. Como cliente, compro uma vez e depois só daqui 3 meses, você compra uma vez depois apenas na outra semana, por exemplo. A TA tem contratos fechados com empresas, semanalmente tem cargas fracionadas”, avaliou o professor nesta quarta.

Ele indicou ainda que é interessante para a Sequoia adquirir uma empresa de transporte com equipes, veículos e equipamentos preparados, ao invés de trabalhar para montar uma operação com a amplitude da Transportadora Americana.

“A TA é uma das remanescentes das grandes empresas que não foi vendida, e está sendo vendida agora. Ela tem um conhecimento muito grande nesse tipo de operação, equipe muito forte para fazer isso”, declarou.

Fonte: O Liberal

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